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JEUDI 07 AOÛT 2008 : RADIO 'SIM' - UNE NOUVELLE ÉCRITE PAR UN JEUNE LYCÉEN PORTUGAIS
07/08/2008
PROGRAMME:
- RADIO "SIM" : ESSA É UMA CRIAÇAO DA RADIO RENASCENÇA, DESTINADA SOBRETUDO ÀS PESSOAS DE IDADE, MAS MUITO INTERESSNTE... PODE SER OUVIDA EM PORTUGAL, E FORA DE PORTUGAL , NO INTERNET (PORTAL INDICADO DENTRO DO ARTIGO)
- UNE "ESTORIA" (UNE NOUVELLE ÉCRITE PAR UN JEUNE LYCÉEN PORTUGAIS) : "ESPIRITO MEU, VAGABUNDO"
“SIM” transmite o Rosário de segunda a sexta a partir de Fátima
O grupo Renascença iniciou este mês de Agosto de 2008 outro novo serviço de comunicação: a estação de rádio “SIM”, assumida como um projecto dirigido a um público acima dos 55 anos, “mediante uma comunicação optimista e de grande proximidade, tendo como principais conteúdos a saúde, a família, o desporto, o lazer e a educação”.
Tal como a Rádio Renascença, também a Rádio SIM integra na sua grelha de programação a transmissão, de Segunda a Sexta-feira, das 18h30 às 19h00, e no primeiro Sábado de cada mês, às 21h30, a transmissão da recitação do Rosário, em directo da Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.
“O convite é para que fique em comunhão com os milhares de ouvintes que diariamente acompanham esta Oração pela Rádio SIM”, pode ler-se na página da Internet da nova rádio portuguesa, em www.radiosim.pt.
“A Rádio SIM é um projecto construído a partir de diversos locais do país, nomeadamente de Lisboa, Porto, Braga e Évora. Procura, por isso, trazer para a antena os principais assuntos do país e os acontecimentos que marcam o dia-a-dia de cada região”, informa, em Comunicado à Imprensa, a Direcção de Marketing e Comunicação do Grupo Renascença.
Musicalmente falando, a novo rádio “Sim” propõe-se incidir nos êxitos dos anos 40, 50, 60 e 70, dando especial atenção à música que é cantada em Português.
Em Maio deste ano, na edição especial do Semanário “Ecclesia”, e onde o presidente do Conselho de Administração do Grupo Renascença, Cónego João Aguiar, dava conta de que estaria em breve no ar “o mais jovem canal do Grupo Renascença que, por sinal, é para os mais avançados na idade”, o Coordenador da Acção Religiosa da Rádio Renascença escreveu sobre a transmissão do Terço a partir do Santuário de Fátima.
José Eduardo Borges de Pinho apresentou os dados estatísticos, que apontam para o facto de que diariamente, de segunda a sexta, “250 mil ouvintes sintonizam regularmente a Rádio Renascença para ouvir/rezar o terço que é transmitido directamente do Santuário de Fátima (247 mil segundo os dados relativos ao último trimestre, o primeiro de 2008)”.
“Na perspectiva dos responsáveis da Emissora Católica, a transmissão do terço é um momento que não vêm isolado do conjunto de toda uma programação religiosa que se procura oferecer. (…) E, não obstante a especificidade religiosa destes momentos, vêem-nos também sempre inseridos no conjunto de toda uma proposta de comunicação onde se procura que ressalte, certamente noutros registos de linguagem e de programação, um olhar diferente sobre a vida e sobre a sociedade. Tudo isto sem nunca perder de vista a preocupação de que a transmissão do terço tenha qualidade radiofónica e sentido evangelizador”, escreve Borges de Pinho no artigo que assinou naquela edição espacial, datada de 29 de Abril 2008.
Recorde-se ainda que o mesmo Rosário, recitado na Capelinha das Aparições, local central da devoção a Nossa Senhora de Fátima, é também transmitido em directo pela TV e Rádio Canção Nova e pela Telepace.
Tabela de frequências e outras informações sobre a SIM disponíveis em www.radiosim.pt
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O grupo Renascença iniciou este mês de Agosto de 2008 outro novo serviço de comunicação: a estação de rádio “SIM”, assumida como um projecto dirigido a um público acima dos 55 anos, “mediante uma comunicação optimista e de grande proximidade, tendo como principais conteúdos a saúde, a família, o desporto, o lazer e a educação”.
Tal como a Rádio Renascença, também a Rádio SIM integra na sua grelha de programação a transmissão, de Segunda a Sexta-feira, das 18h30 às 19h00, e no primeiro Sábado de cada mês, às 21h30, a transmissão da recitação do Rosário, em directo da Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.
“O convite é para que fique em comunhão com os milhares de ouvintes que diariamente acompanham esta Oração pela Rádio SIM”, pode ler-se na página da Internet da nova rádio portuguesa, em www.radiosim.pt.
“A Rádio SIM é um projecto construído a partir de diversos locais do país, nomeadamente de Lisboa, Porto, Braga e Évora. Procura, por isso, trazer para a antena os principais assuntos do país e os acontecimentos que marcam o dia-a-dia de cada região”, informa, em Comunicado à Imprensa, a Direcção de Marketing e Comunicação do Grupo Renascença.
Musicalmente falando, a novo rádio “Sim” propõe-se incidir nos êxitos dos anos 40, 50, 60 e 70, dando especial atenção à música que é cantada em Português.
Em Maio deste ano, na edição especial do Semanário “Ecclesia”, e onde o presidente do Conselho de Administração do Grupo Renascença, Cónego João Aguiar, dava conta de que estaria em breve no ar “o mais jovem canal do Grupo Renascença que, por sinal, é para os mais avançados na idade”, o Coordenador da Acção Religiosa da Rádio Renascença escreveu sobre a transmissão do Terço a partir do Santuário de Fátima.
José Eduardo Borges de Pinho apresentou os dados estatísticos, que apontam para o facto de que diariamente, de segunda a sexta, “250 mil ouvintes sintonizam regularmente a Rádio Renascença para ouvir/rezar o terço que é transmitido directamente do Santuário de Fátima (247 mil segundo os dados relativos ao último trimestre, o primeiro de 2008)”.
“Na perspectiva dos responsáveis da Emissora Católica, a transmissão do terço é um momento que não vêm isolado do conjunto de toda uma programação religiosa que se procura oferecer. (…) E, não obstante a especificidade religiosa destes momentos, vêem-nos também sempre inseridos no conjunto de toda uma proposta de comunicação onde se procura que ressalte, certamente noutros registos de linguagem e de programação, um olhar diferente sobre a vida e sobre a sociedade. Tudo isto sem nunca perder de vista a preocupação de que a transmissão do terço tenha qualidade radiofónica e sentido evangelizador”, escreve Borges de Pinho no artigo que assinou naquela edição espacial, datada de 29 de Abril 2008.
Recorde-se ainda que o mesmo Rosário, recitado na Capelinha das Aparições, local central da devoção a Nossa Senhora de Fátima, é também transmitido em directo pela TV e Rádio Canção Nova e pela Telepace.
Tabela de frequências e outras informações sobre a SIM disponíveis em www.radiosim.pt
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O ESPIRITO MEU, VAGABUNDO (ilustração)
ESPIRITO MEU, VAGABUNDO
Uma estória de
Tiago Magalhães
(16 anos — Estudante do 11.º Ano)
Caíam incessantes os dias pérfidos deste mundo, sobre o meu peito soluçante.
Passava o tempo agreste acima da minha cabeça, como marcha silenciosa, marcando compasso infinito. Corriam os dias freneticamente, qual carrossel imparável num rodeio eterno de desgosto e solidão.
E eu quedava-me quieto, petrificado na minha mortal morada cruel, personalizada por um corpo amargo de indistinta natureza podre. Nada eu era, nada mais que pó barrento ou seda fina como tecido sagrado, pelos altos comandos dos deuses produzida. Era eu um suco venenoso, um terror vagando por este mundo finito, por este planeta cercado de dor e mansidão falsa e hipócrita.
E por quê tudo isto? Para quê um ambíguo sofrimento egoísta, uma morte pouco natural de um espírito incontrolável e emocionalmente perturbado?
Tudo por ti. Mas quem eras tu? Não te conseguia eu definir por entre a penumbra deleitosa de uma noite sem estreito paralelo. Corria em teu encalço, motivado por forças a mim exteriores, superiores num universo transcendente. Ganhavam as minhas pernas forças e eu lançava-me desenfreado nessa correria desigual, dada a tua rapidez incomparável. E por que corria eu atrás de ti? Havia algo que ecoava na minha mente adolescente, jovem de idade, um som melodioso que preenchia de belos sonhos o meu infantil imaginário. Havia igualmente um doce perfume que me atraía incondicionalmente e me subjugava aos teus encantos ímpares, prostrando-se o meu joelho perante a tua única majestade sem igual.
A tua face não podia eu, preso na condição mortal dita cruel, contemplar ou vislumbrar, admirar ou sequer olhar. Não.
Estava ela coberta por belos tecidos finos, cujas abas caíam sobre o teu ombro, abrindo leque indefinido, véu matrimonial.
Mas era essa face oculta nas trevas do desejo, que eu ansiava profusamente por conhecer.
Cessava essa correria e parávamos ambos numa admiração mútua. Por artes alheias, conseguia eu distinguir o teu sorriso mágico, a marcação dos teus lábios impiedosos. Chamavas-me para junto de ti, mas logo fugias incrédula, porém divertida e maravilhada. O teu nome era-me desconhecido, mas conseguia comunicar docemente contigo numa linguagem celestial e ancestral. Não me recordo das nossas conversas ou sequer diálogos que mais se assemelhavam a monólogos petrarquistas, qual Camões idiotamente absorvido pelo fragor ambíguo do amor, quedei-me eu a teus pés, como vassalo obediente, servo devoto. E voltavas a chamar por mim. Obedecia eu, tal como o dito devoto servo, e seguia-te maravilhado, por entre verdes campinas largas, bosques fundos e montes indefinidos, colinas verdejantes, cujo manto celestial envergava uma cobertura florida, multicolor na sua essência bucólica e romântica.
Parávamos, aqui e além, absortos em pensamentos vãos, envolvidos por sensações ao mortal corpo alheias, talvez algo que a este mundo não pertencesse, algo fascinante, que me enchia de alegria, esperança e paz. Mas não se avizinhava essa por muito.
Os beijos que nunca trocámos assolaram vilmente o meu adolescente pensamento vagabundo. Extasiava-me eu, incrivelmente perplexo, fitando tua silhueta selvagem, vislumbrando teu olhar mágico, que me cegava as córneas corporais e deixava as outras alucinadas na sua inocência contemplativa. Como querias tu que te seguisse mais? Começavam a doer-me as pernas, fraquejavam-me os músculos, berravam de modo ensurdecedor os pulmões fracos, gritavam epilépticos os neurónios estafados. Oh, clemência tua, pedia eu! Mas ela não caminhava até mim e deixava-se quedar incerta no teu íntimo. Tornaram-se gélidos os nossos encontros serenos e frias as palavras estúpidas, que brotavam indomáveis das nossas gargantas apodrecidas pelo carnal desejo.
Quedaram-se inclementes os nossos já raros diálogos. E, lembro-me eu, numa
tarde calma de Outono, virámos costas mutuamente, como despedida fúnebre numa noite gélida de Inverno agreste.
Nem um adeus saiu da minha boca, para te consolar, nem um gesto sequer desenhaste nos ares apodrecidos. Eras alguém fraco e egoísta. Tal como eu. Mas com a minha personalidade, podia eu bem.
Agora com a tua... Oh, sorte! De tanta mulher terrena, tinha que me ser destinada, pela Fortuna cruel, aquela divina criatura sem escrúpulos! Odiei-te como a mais ninguém. Odiei-te e apenas desejei ver os teus ossos secarem nas áridas terras da costa violenta. Querias muito, mas nada te dei. Bastou o amor que te confiei, para o teu espírito serenar, por raros e efémeros momentos. Era essa personalidade superior, porém malévola, que me impingia o tal ódio fatal, a dita dor incontornável.
Era um escravo teu, durante aquelas belas corridas por entre os ermos inóspitos. Era um escravo teu, durante todo aquele tempo inicial, aqueles diálogos insólitos, aquelas conversas sem tema algum que as criasse, mas que surgiam, como que por magia sobrenatural, de um nada que nos envolvia felizes, numa falsa paz espiritual.
Vivo agora doente com a dor que me causaste. Também eu te causei alguma,
mas nada comparável ao terror bíblico, quais dez pragas egípcias, que lançaste sobre mim, como maldição imperdoável. Fui alvo da tua fúria, da tua raiva indefinida, cujas entranhas nasciam dos alicerces do mundo e se despenhavam fortes e inclementes nos altos picos mortos deste mundo. Vivo caído, apoiado a uma parede branca, cuja cal suja ainda mais o podre escondido deste meu pérfido corpo. Vivo vagabundo, num deserto que é teu, num oceano que dominas. Vivo sofrendo, vivo mártir da tua atroz vingança final. Destinaste-me à imortalidade que era tua, impingiste em mim o maior terror e abismo que te couberam. Amaldiçoaste o meu ser, a minha alma. No entanto, uma dura e fria verdade controla e domina e martela constantemente, num ritmo infinito, o meu espírito inquieto. Continuo incrivelmente apaixonado por ti...
Fafe, 19 de Maio de 2008 (Publicado no DM, 06/08/08)
Uma estória de
Tiago Magalhães
(16 anos — Estudante do 11.º Ano)
Caíam incessantes os dias pérfidos deste mundo, sobre o meu peito soluçante.
Passava o tempo agreste acima da minha cabeça, como marcha silenciosa, marcando compasso infinito. Corriam os dias freneticamente, qual carrossel imparável num rodeio eterno de desgosto e solidão.
E eu quedava-me quieto, petrificado na minha mortal morada cruel, personalizada por um corpo amargo de indistinta natureza podre. Nada eu era, nada mais que pó barrento ou seda fina como tecido sagrado, pelos altos comandos dos deuses produzida. Era eu um suco venenoso, um terror vagando por este mundo finito, por este planeta cercado de dor e mansidão falsa e hipócrita.
E por quê tudo isto? Para quê um ambíguo sofrimento egoísta, uma morte pouco natural de um espírito incontrolável e emocionalmente perturbado?
Tudo por ti. Mas quem eras tu? Não te conseguia eu definir por entre a penumbra deleitosa de uma noite sem estreito paralelo. Corria em teu encalço, motivado por forças a mim exteriores, superiores num universo transcendente. Ganhavam as minhas pernas forças e eu lançava-me desenfreado nessa correria desigual, dada a tua rapidez incomparável. E por que corria eu atrás de ti? Havia algo que ecoava na minha mente adolescente, jovem de idade, um som melodioso que preenchia de belos sonhos o meu infantil imaginário. Havia igualmente um doce perfume que me atraía incondicionalmente e me subjugava aos teus encantos ímpares, prostrando-se o meu joelho perante a tua única majestade sem igual.
A tua face não podia eu, preso na condição mortal dita cruel, contemplar ou vislumbrar, admirar ou sequer olhar. Não.
Estava ela coberta por belos tecidos finos, cujas abas caíam sobre o teu ombro, abrindo leque indefinido, véu matrimonial.
Mas era essa face oculta nas trevas do desejo, que eu ansiava profusamente por conhecer.
Cessava essa correria e parávamos ambos numa admiração mútua. Por artes alheias, conseguia eu distinguir o teu sorriso mágico, a marcação dos teus lábios impiedosos. Chamavas-me para junto de ti, mas logo fugias incrédula, porém divertida e maravilhada. O teu nome era-me desconhecido, mas conseguia comunicar docemente contigo numa linguagem celestial e ancestral. Não me recordo das nossas conversas ou sequer diálogos que mais se assemelhavam a monólogos petrarquistas, qual Camões idiotamente absorvido pelo fragor ambíguo do amor, quedei-me eu a teus pés, como vassalo obediente, servo devoto. E voltavas a chamar por mim. Obedecia eu, tal como o dito devoto servo, e seguia-te maravilhado, por entre verdes campinas largas, bosques fundos e montes indefinidos, colinas verdejantes, cujo manto celestial envergava uma cobertura florida, multicolor na sua essência bucólica e romântica.
Parávamos, aqui e além, absortos em pensamentos vãos, envolvidos por sensações ao mortal corpo alheias, talvez algo que a este mundo não pertencesse, algo fascinante, que me enchia de alegria, esperança e paz. Mas não se avizinhava essa por muito.
Os beijos que nunca trocámos assolaram vilmente o meu adolescente pensamento vagabundo. Extasiava-me eu, incrivelmente perplexo, fitando tua silhueta selvagem, vislumbrando teu olhar mágico, que me cegava as córneas corporais e deixava as outras alucinadas na sua inocência contemplativa. Como querias tu que te seguisse mais? Começavam a doer-me as pernas, fraquejavam-me os músculos, berravam de modo ensurdecedor os pulmões fracos, gritavam epilépticos os neurónios estafados. Oh, clemência tua, pedia eu! Mas ela não caminhava até mim e deixava-se quedar incerta no teu íntimo. Tornaram-se gélidos os nossos encontros serenos e frias as palavras estúpidas, que brotavam indomáveis das nossas gargantas apodrecidas pelo carnal desejo.
Quedaram-se inclementes os nossos já raros diálogos. E, lembro-me eu, numa
tarde calma de Outono, virámos costas mutuamente, como despedida fúnebre numa noite gélida de Inverno agreste.
Nem um adeus saiu da minha boca, para te consolar, nem um gesto sequer desenhaste nos ares apodrecidos. Eras alguém fraco e egoísta. Tal como eu. Mas com a minha personalidade, podia eu bem.
Agora com a tua... Oh, sorte! De tanta mulher terrena, tinha que me ser destinada, pela Fortuna cruel, aquela divina criatura sem escrúpulos! Odiei-te como a mais ninguém. Odiei-te e apenas desejei ver os teus ossos secarem nas áridas terras da costa violenta. Querias muito, mas nada te dei. Bastou o amor que te confiei, para o teu espírito serenar, por raros e efémeros momentos. Era essa personalidade superior, porém malévola, que me impingia o tal ódio fatal, a dita dor incontornável.
Era um escravo teu, durante aquelas belas corridas por entre os ermos inóspitos. Era um escravo teu, durante todo aquele tempo inicial, aqueles diálogos insólitos, aquelas conversas sem tema algum que as criasse, mas que surgiam, como que por magia sobrenatural, de um nada que nos envolvia felizes, numa falsa paz espiritual.
Vivo agora doente com a dor que me causaste. Também eu te causei alguma,
mas nada comparável ao terror bíblico, quais dez pragas egípcias, que lançaste sobre mim, como maldição imperdoável. Fui alvo da tua fúria, da tua raiva indefinida, cujas entranhas nasciam dos alicerces do mundo e se despenhavam fortes e inclementes nos altos picos mortos deste mundo. Vivo caído, apoiado a uma parede branca, cuja cal suja ainda mais o podre escondido deste meu pérfido corpo. Vivo vagabundo, num deserto que é teu, num oceano que dominas. Vivo sofrendo, vivo mártir da tua atroz vingança final. Destinaste-me à imortalidade que era tua, impingiste em mim o maior terror e abismo que te couberam. Amaldiçoaste o meu ser, a minha alma. No entanto, uma dura e fria verdade controla e domina e martela constantemente, num ritmo infinito, o meu espírito inquieto. Continuo incrivelmente apaixonado por ti...
Fafe, 19 de Maio de 2008 (Publicado no DM, 06/08/08)
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