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Ce Blog est dédié avant tout aux Portugais d'Orléans et de sa région, mais aussi à tous ceux qu'il peut intéresser...Ce n'est pas un journal intime, mais "une nouvelle par jour"
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QUESTIONS ACTUELLES
PROGRAMME :
- 1/ LA FAMILLE : POUR UNE FOIS, UN RAPPORT NOUS VIENT DU PORTUGAL QUI NE SE LAMENTE PAS SUR L'ÉTAT ACTUEL DE LA FAMILLE... MAIS SE VEUT RÉSOLUMENT OPTIMISTE...
- 2/ TOUJOURS ÀPROPOS DE LA FAMILLE ; UN PROBLÈME TRÈS (TROP?) ACTUEL = LA PROCRÉATION ASSISTÉE... ALORS QUE, DANS CE CAS, LES PARENTS CHERCHENT AVANT TOUT LA SATISFACTION D'AVOIR UNE PROGÉNITURE, LES ENFANTS NÉS PAR CE MOYEN, EUX, SONT VOUÉS À IGNORER TOUTE LEUR VIE LE NOM DE LEUR PÈRE, CE QUI PEUT LEUR CAUSER DE GRANDES SOUFFRANCES... TÉMOIGNAGE D'UNE JEUNE FILLE NÉE DE CETTE MANIÈRE...
L'IMAGE D'UNE FAMILLE UNIE
Família continua a ser um lugar de esperança
Os desafios familiares e a família como um lugar de
esperança estiveram em destaque nas XX Jornadas Nacionais
da Pastoral Familiar, que decorreram no passado
fim-de-semana em Fátima. No balanço da iniciativa, os
responsáveis do Departamento Nacional da Pastoral
Familiar, Graça e Bernardo Mira Delgado, optaram por
evidenciar «imensos sinais de esperança» da Família no
actual contexto social.
«Quando pensávamos que iríamos encontrar um quadro
de desespero e angústia, os grupos de reflexão conseguiram
descobrir imensos sinais de esperança. O mundo onde vivemos
continua a ser um lugar de esperança e a Família, com
todos os riscos que tem, continua a ser uma fonte inesgotável
de esperança», explicou Bernardo Mira Delgado.
Graça Delgado disse não saber se a Família corre «um
risco tão grande ou se é apenas o que nos chega», aludindo
ao que é noticiável e ao que não é noticiável. «O que é
notícia é o que provoca agitação. Pelo que analisámos nas
Jornadas, é mais o fumo que a realidade». No entanto, as
dificuldades não se escondem. «Vivemos dificuldades e é
preciso continuarmos a apelar ao essencial».
As XX Jornadas da Pastoral Familiar foram uma resposta
ao desafio lançado pelo Papa na encíclica “Spe Salvi” e
pretendiam ajudar a perceber de que forma «a Família
pode ser não apenas testemunho, mas dinamizadora dessa
mesma esperança que deve estar em todos nós», apontou
Graça Mira Delgado.
Bernardo Mira Delgado evidenciou uma «grande mudança
cultural e uma tendência para que o que é novo chame mais
a atenção sobre uma história passada e que fundamenta
a nossa cultura». No entanto, as Jornadas quiseram «ser
um incentivo ao trabalho nas dioceses», apesar de estas
serem autónomas e «não haver um programa nacional».
A responsável sublinhou «as sugestões e a partilha de
esperança».
Juan Ambrósio, professor de Teologia na UCP e conferencista
nas XX Jornadas da Pastoral Familiar, reconheceu
«uma crise inegável na Família», mas indicou que a «consciencialização
pede que, depois de uma primeira fase de
reconhecimento, se procurem caminhos positivos e de
reconstrução».
«Deus continua a falar-nos no meio do mundo concreto. Se
o mundo está em dificuldades, temos de continuar a escutar
a voz de Deus e os desafios que Ele nos levanta». Desafios
que o professor de Teologia assume como «de construção
de uma história mais positiva, mais fraterna e justa, onde a
Família deve desempenhar um papel insubstituível».
Convidado a falar sobre “O desafio da esperança em
contexto familiar”, Juan Ambrósio explicou que «na Família
aprendemos a ser numa dinâmica de amor. Somos o que
somos, porque somos amados e crescemos nesse contexto
de amor. O nosso fim também será o amor. O crescer na
positividade deve ser o nosso testemunho. Se estiver presente
no contexto familiar, esta marca vai passar depois aos
restantes contextos onde estivermos inseridos».
Ao longo da história, a Família foi adquirindo diferentes
fisionomias, explicou o teólogo. «Não valem todas o mesmo,
umas são melhores outras são piores», disse, apontando
que ao longo da história «várias serão as fisionomias que
teremos ainda de descobrir», relembrando o modelo de
família alargada com a presença dos avós e dos tios.
Caminhando para famílias «nucleares, teremos de ter
presente que o que importa são as fisionomias que respondem
ao desafio actual, do crescimento das pessoas e
do projecto de Deus para a humanidade». Juan Ambrósio
apontou o imperativo da «ousadia da criatividade e de
construir o núcleo familiar, a partir do casal e dos filhos,
mas fazendo núcleos mais alargados porque talvez a família
se tenha tornado demasiado fechada em si».
O teólogo apontou três tipos de relação familiar: entre
o pai e a mãe, que é uma «relação de amor»; a relação do
casal e dos filhos; e a relação do núcleo familiar com um
círculo mais alargado «que é família por consanguinidade,
mas também por amizade». «Sem descurar nenhum dos
âmbitos, precisamos de ler a Família em circuitos mais
amplos», disse também Juan Ambrósio.
Redacção/Ecclesia
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Os desafios familiares e a família como um lugar de
esperança estiveram em destaque nas XX Jornadas Nacionais
da Pastoral Familiar, que decorreram no passado
fim-de-semana em Fátima. No balanço da iniciativa, os
responsáveis do Departamento Nacional da Pastoral
Familiar, Graça e Bernardo Mira Delgado, optaram por
evidenciar «imensos sinais de esperança» da Família no
actual contexto social.
«Quando pensávamos que iríamos encontrar um quadro
de desespero e angústia, os grupos de reflexão conseguiram
descobrir imensos sinais de esperança. O mundo onde vivemos
continua a ser um lugar de esperança e a Família, com
todos os riscos que tem, continua a ser uma fonte inesgotável
de esperança», explicou Bernardo Mira Delgado.
Graça Delgado disse não saber se a Família corre «um
risco tão grande ou se é apenas o que nos chega», aludindo
ao que é noticiável e ao que não é noticiável. «O que é
notícia é o que provoca agitação. Pelo que analisámos nas
Jornadas, é mais o fumo que a realidade». No entanto, as
dificuldades não se escondem. «Vivemos dificuldades e é
preciso continuarmos a apelar ao essencial».
As XX Jornadas da Pastoral Familiar foram uma resposta
ao desafio lançado pelo Papa na encíclica “Spe Salvi” e
pretendiam ajudar a perceber de que forma «a Família
pode ser não apenas testemunho, mas dinamizadora dessa
mesma esperança que deve estar em todos nós», apontou
Graça Mira Delgado.
Bernardo Mira Delgado evidenciou uma «grande mudança
cultural e uma tendência para que o que é novo chame mais
a atenção sobre uma história passada e que fundamenta
a nossa cultura». No entanto, as Jornadas quiseram «ser
um incentivo ao trabalho nas dioceses», apesar de estas
serem autónomas e «não haver um programa nacional».
A responsável sublinhou «as sugestões e a partilha de
esperança».
Juan Ambrósio, professor de Teologia na UCP e conferencista
nas XX Jornadas da Pastoral Familiar, reconheceu
«uma crise inegável na Família», mas indicou que a «consciencialização
pede que, depois de uma primeira fase de
reconhecimento, se procurem caminhos positivos e de
reconstrução».
«Deus continua a falar-nos no meio do mundo concreto. Se
o mundo está em dificuldades, temos de continuar a escutar
a voz de Deus e os desafios que Ele nos levanta». Desafios
que o professor de Teologia assume como «de construção
de uma história mais positiva, mais fraterna e justa, onde a
Família deve desempenhar um papel insubstituível».
Convidado a falar sobre “O desafio da esperança em
contexto familiar”, Juan Ambrósio explicou que «na Família
aprendemos a ser numa dinâmica de amor. Somos o que
somos, porque somos amados e crescemos nesse contexto
de amor. O nosso fim também será o amor. O crescer na
positividade deve ser o nosso testemunho. Se estiver presente
no contexto familiar, esta marca vai passar depois aos
restantes contextos onde estivermos inseridos».
Ao longo da história, a Família foi adquirindo diferentes
fisionomias, explicou o teólogo. «Não valem todas o mesmo,
umas são melhores outras são piores», disse, apontando
que ao longo da história «várias serão as fisionomias que
teremos ainda de descobrir», relembrando o modelo de
família alargada com a presença dos avós e dos tios.
Caminhando para famílias «nucleares, teremos de ter
presente que o que importa são as fisionomias que respondem
ao desafio actual, do crescimento das pessoas e
do projecto de Deus para a humanidade». Juan Ambrósio
apontou o imperativo da «ousadia da criatividade e de
construir o núcleo familiar, a partir do casal e dos filhos,
mas fazendo núcleos mais alargados porque talvez a família
se tenha tornado demasiado fechada em si».
O teólogo apontou três tipos de relação familiar: entre
o pai e a mãe, que é uma «relação de amor»; a relação do
casal e dos filhos; e a relação do núcleo familiar com um
círculo mais alargado «que é família por consanguinidade,
mas também por amizade». «Sem descurar nenhum dos
âmbitos, precisamos de ler a Família em circuitos mais
amplos», disse também Juan Ambrósio.
Redacção/Ecclesia
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PROCRÉATION MÉDICALEMENT ASSISTÉE: POUR OU CONTRE?
Bioética/Ciência
O meu pai foi um dador de sémen, anónimo
«Não conhecia o meu pai, nunca ouvira falar dele, nem tinha visto nunca uma fotografia sua. A minha mãe nunca me falou dele, meu pai, porque não tinha qualquer pista que a levasse ao homem, pai da sua filha»
Katrina Clark, uma dos milhares de pessoas nascidas, nos Estados Unidos da América, por inseminação artificial. Devido às leis que garantem o anonimato do doador de sémen, cresceu até aos 17 anos sem saber quem era o seu pai. Por isso, ela sentia uma enorme crise de identidade. Começou a procurar o seu pai biológico.
Foi assim que, em artigo publicado, já há algum tempo, no The Washington Post (17-12-2006) saiu esta notícia. Katrina tinha 18 anos.
Katrina sente-se revoltada com o facto de que as leis sobre fecundação artificial tenham sido feitas pensando, apenas, nos desejos dos adultos sem ter em consideração os direitos das pessoas concebidas desse modo.
«Aborrece-me que tudo o que diz respeito à doação das células sexuais (masculinas e femininas) destinadas à procriação, se centre apenas nos «pais», isto é, os adultos que podem tomar decisões sobre as nossas vidas. Simpatiza-se com a mãe por querer ter um filho. Ao doador é garantido o anonimato, bem como isenção de qualquer responsabilidade sobre o filho nascido da sua doação. Enquanto que estes adultos são felizes, a concepção por doação é um êxito, não»
Não é assim tão simples, diz-nos ela própria. Acentua, logo de imediato, que os nascidos de modo artificial também são pessoas. Por isso luta para que seja reconhecido o direito a saber quem são os seus pais.
Do ponto de vista emocional – continua explicando – muitas das pessoas que nasceram desta maneira sofrem com a sua situação. «Não pedimos para nascer deste modo, com as limitações e as confusões que isso implica. É de uma hipocrisia muito grande que tanto os pais como os médicos pensem que os «produtos» dos bancos de sémen não se vão preocupar em querer conhecer as suas raízes biológicas quando o que determina esta situação, que faz com que os clientes recorram à inseminação artificial é, exactamente, o seu veemente desejo de ter descendentes biológicos.
A mãe da Katrina teve que fazer muitos sacrifícios para conseguir ter esta filha. Apesar da situação de miserável por que passaram juntas, uniu-as ainda mais. «Nunca me aborreci com ela», firma Katrina. Ela explicou-me, era eu ainda muito criança, que eu nunca tinha tido um papá, mas apenas um pai biológico», o desconhecido, doador do sémen. Inicialmente, não se importava muito em não ter um pai. Só de vez em quando, reconhece, «quando era pequena gostava de sonhar com um homem alto e delgado que me agarrava e me fazia balançar, dando voltas no pátio, um homem viril, encantado com a sua filha»
A procura do pai
No seu artigo, Katrina, explica os vários acontecimentos que a fizeram adorar a figura de um pai que cuidasse dela e que a protegesse. Sentia, muitas vezes, ciúmes das amigas que tinham uma família com pai, mãe e irmãos. Inclusivamente, quando os pais das suas amigas se divorciavam, ela sentia ciúmes do carinho e compreensão que recebiam de todos. «a mim nunca ninguém me ofereceu esse tipo de apoio e compreensão».
A mãe acabou por se casar. Certo dia, o padrasto repreendeu Katrina e a mãe teve uma crise de nervos. Começou a gritar dizendo ao marido que ele não tinha qualquer autoridade sobre Katrina porque não era seu pai, e que ela não tinha pai. «Foi nesse momento exacto, que a sensação de vazio se abateu sobre mim. Dei-me conta que, em certo sentido, era rara. Na verdade eu nunca iria ter um pai. Finalmente interiorizei o que é ser concebida por um doador e odiei-o».
Passado um ano, vi um programa na televisão sobre uma mulher que morrera de um ataque de coração devido a uma doença genética. Evidentemente, a mulher ignorava a sua predisposição, pois fora adoptada ainda muito pequena e ignorava a história médica dos seus pais. Este facto foi como uma bofetada para Katrina e veio incentivá-la a procurar o seu pai.
Logo que começou a investigar em Fairfax Cryobank, o banco de esperma da Virginia onde a sua mãe fora inseminada. Com a informação limitada que a mãe tinha sobre o doador (raça, algumas características físicas, peso, nível de estudos), continuou a fazer as suas averiguações. Teve muita sorte. Apenas ao fim de um mês de troca de mensagens electrónicas e pesquisa na Internet, encontrou um doador que podia ser seu pai e que aceitou fazer a prova de X. Os dados confirmaram que era, realmente, seu pai biológico. «A partir dessa altura a minha vida mudou», confirma Katrina.
Passado pouco tempo de estar em contacto com ele, «constatei que o seu entusiasmo para intensificar o nosso relacionamento parecia desvanecer-se. Quando lhe falei desse facto, ele confirmou-me que estava um pouco cansado daquela história do doador de sémen». Apesar de tudo, Katrina não queria perdê-lo. «Há muita coisa que quero saber. Quero conhecê-lo. Quero conhecer a sua família. Tenho a certeza de que ele nem imagina o papel tão importante que teve na minha vida apesar da sua ausência, ou, exactamente, pela sua ausência. Se não devo estar muito ligada a ele como pai, posso, ao menos, ficar agarrada ao sentimento de que tenho um pai.»
Katrina pensa, também, nos sentimentos de muitos outros nascidos por doação de esperma. «Quando leio o que dizem algumas mulheres sobre a sua opção de maternidade, sinto-me reduzida a pouco mais de uma ampola de sémen congelado. Penso que a maior parte destas mães e dos doadores pensam, apenas, nos sentimentos dos filhos que hão-de nascer dos seus actos. Não quero dizer que sejam insensíveis, mas lhes passou pela cabeça o que podem pensar os seus filhos quando forem maiores.»
Os nascidos por doação de esperma, acentua Katrina, «chegaremos a adultos e a ter nossa opinião acerca da decisão de ter sido trazidos ao mundo de uma modo que nos priva dos direito básico de saber de onde vimos, qual a nossa história e quem são os nossos pais».
Assinado por Aceprensa
Data: 15 Novembro 2008
O meu pai foi um dador de sémen, anónimo
«Não conhecia o meu pai, nunca ouvira falar dele, nem tinha visto nunca uma fotografia sua. A minha mãe nunca me falou dele, meu pai, porque não tinha qualquer pista que a levasse ao homem, pai da sua filha»
Katrina Clark, uma dos milhares de pessoas nascidas, nos Estados Unidos da América, por inseminação artificial. Devido às leis que garantem o anonimato do doador de sémen, cresceu até aos 17 anos sem saber quem era o seu pai. Por isso, ela sentia uma enorme crise de identidade. Começou a procurar o seu pai biológico.
Foi assim que, em artigo publicado, já há algum tempo, no The Washington Post (17-12-2006) saiu esta notícia. Katrina tinha 18 anos.
Katrina sente-se revoltada com o facto de que as leis sobre fecundação artificial tenham sido feitas pensando, apenas, nos desejos dos adultos sem ter em consideração os direitos das pessoas concebidas desse modo.
«Aborrece-me que tudo o que diz respeito à doação das células sexuais (masculinas e femininas) destinadas à procriação, se centre apenas nos «pais», isto é, os adultos que podem tomar decisões sobre as nossas vidas. Simpatiza-se com a mãe por querer ter um filho. Ao doador é garantido o anonimato, bem como isenção de qualquer responsabilidade sobre o filho nascido da sua doação. Enquanto que estes adultos são felizes, a concepção por doação é um êxito, não»
Não é assim tão simples, diz-nos ela própria. Acentua, logo de imediato, que os nascidos de modo artificial também são pessoas. Por isso luta para que seja reconhecido o direito a saber quem são os seus pais.
Do ponto de vista emocional – continua explicando – muitas das pessoas que nasceram desta maneira sofrem com a sua situação. «Não pedimos para nascer deste modo, com as limitações e as confusões que isso implica. É de uma hipocrisia muito grande que tanto os pais como os médicos pensem que os «produtos» dos bancos de sémen não se vão preocupar em querer conhecer as suas raízes biológicas quando o que determina esta situação, que faz com que os clientes recorram à inseminação artificial é, exactamente, o seu veemente desejo de ter descendentes biológicos.
A mãe da Katrina teve que fazer muitos sacrifícios para conseguir ter esta filha. Apesar da situação de miserável por que passaram juntas, uniu-as ainda mais. «Nunca me aborreci com ela», firma Katrina. Ela explicou-me, era eu ainda muito criança, que eu nunca tinha tido um papá, mas apenas um pai biológico», o desconhecido, doador do sémen. Inicialmente, não se importava muito em não ter um pai. Só de vez em quando, reconhece, «quando era pequena gostava de sonhar com um homem alto e delgado que me agarrava e me fazia balançar, dando voltas no pátio, um homem viril, encantado com a sua filha»
A procura do pai
No seu artigo, Katrina, explica os vários acontecimentos que a fizeram adorar a figura de um pai que cuidasse dela e que a protegesse. Sentia, muitas vezes, ciúmes das amigas que tinham uma família com pai, mãe e irmãos. Inclusivamente, quando os pais das suas amigas se divorciavam, ela sentia ciúmes do carinho e compreensão que recebiam de todos. «a mim nunca ninguém me ofereceu esse tipo de apoio e compreensão».
A mãe acabou por se casar. Certo dia, o padrasto repreendeu Katrina e a mãe teve uma crise de nervos. Começou a gritar dizendo ao marido que ele não tinha qualquer autoridade sobre Katrina porque não era seu pai, e que ela não tinha pai. «Foi nesse momento exacto, que a sensação de vazio se abateu sobre mim. Dei-me conta que, em certo sentido, era rara. Na verdade eu nunca iria ter um pai. Finalmente interiorizei o que é ser concebida por um doador e odiei-o».
Passado um ano, vi um programa na televisão sobre uma mulher que morrera de um ataque de coração devido a uma doença genética. Evidentemente, a mulher ignorava a sua predisposição, pois fora adoptada ainda muito pequena e ignorava a história médica dos seus pais. Este facto foi como uma bofetada para Katrina e veio incentivá-la a procurar o seu pai.
Logo que começou a investigar em Fairfax Cryobank, o banco de esperma da Virginia onde a sua mãe fora inseminada. Com a informação limitada que a mãe tinha sobre o doador (raça, algumas características físicas, peso, nível de estudos), continuou a fazer as suas averiguações. Teve muita sorte. Apenas ao fim de um mês de troca de mensagens electrónicas e pesquisa na Internet, encontrou um doador que podia ser seu pai e que aceitou fazer a prova de X. Os dados confirmaram que era, realmente, seu pai biológico. «A partir dessa altura a minha vida mudou», confirma Katrina.
Passado pouco tempo de estar em contacto com ele, «constatei que o seu entusiasmo para intensificar o nosso relacionamento parecia desvanecer-se. Quando lhe falei desse facto, ele confirmou-me que estava um pouco cansado daquela história do doador de sémen». Apesar de tudo, Katrina não queria perdê-lo. «Há muita coisa que quero saber. Quero conhecê-lo. Quero conhecer a sua família. Tenho a certeza de que ele nem imagina o papel tão importante que teve na minha vida apesar da sua ausência, ou, exactamente, pela sua ausência. Se não devo estar muito ligada a ele como pai, posso, ao menos, ficar agarrada ao sentimento de que tenho um pai.»
Katrina pensa, também, nos sentimentos de muitos outros nascidos por doação de esperma. «Quando leio o que dizem algumas mulheres sobre a sua opção de maternidade, sinto-me reduzida a pouco mais de uma ampola de sémen congelado. Penso que a maior parte destas mães e dos doadores pensam, apenas, nos sentimentos dos filhos que hão-de nascer dos seus actos. Não quero dizer que sejam insensíveis, mas lhes passou pela cabeça o que podem pensar os seus filhos quando forem maiores.»
Os nascidos por doação de esperma, acentua Katrina, «chegaremos a adultos e a ter nossa opinião acerca da decisão de ter sido trazidos ao mundo de uma modo que nos priva dos direito básico de saber de onde vimos, qual a nossa história e quem são os nossos pais».
Assinado por Aceprensa
Data: 15 Novembro 2008
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