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Gabriel JEUGE
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RELIGION
SAMEDI 30 AOÛT 2008 : DEUX POÈMES CHRÉTIENS - LE PAPE RETRACE LA VIE DE SAINT PAUL (I)
30/08/2008
PROGRAMME :
- DEUX POÈMES : 'GUIDÉS PARA LA PAROLE' ET 'EN ÉCOUTANT LA PAROLE'.
- LE PAPE BENOÎT XVI RETRACE LA VIE DE SAINT PAUL, EN CETTE ANNÉE QU'IL A DÉCIDÉ DE CONSACRER À L'APÔTRE (1ère partie)
LA PAROLE DE DIEU EST COMME UNE SOURCE D'EAU VIVE
Guiados pela Palavra…
Guiados pela Palavra
De Jesus, que é a Verdade,
Construiremos um mundo
De paz e fraternidade.
Caminharemos na vida
Com fé e com confi ança,
Dando, a quem no-la pedir,
A razão da nossa Esperança.
A todo o que nos ferir
Com a palavra mais dura
Saberemos responder
Com mansidão e doçura.
Do íntimo do coração,
A quem provoca revezes
Saberemos dar perdão
Não uma, mas sete vezes.
Não faremos distinção
Entre os nossos e os teus
Pois em todos saberemos
Descobrir fi lhos de Deus.
Amaremos hoje e sempre
Quem nos ama e nos ofende.
Quem connosco faz caminho
E quem nos não compreende.
O Tempo que nos for dado
Fá-lo-emos repartir
No amor a Deus e aos homens
A quem buscamos servir.
Daremos a outra face
Ao irmão que nos ferira,
Respondendo com verdade
À calúnia e à mentira.
O mandamento do Amor
E as Bem-Aventuranças
Dar-nos-ão, mesmo na dor,
Almas simples de crianças.
Não pagaremos o mal
Como mal. Nada à vingança.
Viver como Jesus quer
Só é no bem que se alcança.
Ouvindo a Palavra…
Ouvindo a Palavra sou interpelado
A levar à vida quanto Deus me diz.
Sei que Deus me ama, caminha a meu lado
E quer que já hoje me sinta feliz.
Ouvindo a Palavra sei que Deus é Pai.
Quer que nos tratemos como bons irmãos.
Quer que levantemos o homem que cai
E a todos – mas todos – ‘stendamos as mãos.
Ouvindo a Palavra conheço a Verdade
De Deus sobre o homem e o mundo que fez.
Conheço, sem dúvidas, a Sua vontade,
Que é que nos amemos uma e outra vez.
Ouvindo a Palavra saberei também
Que Deus é perdão para o pecador.
Que Deus, sendo Pai, ama como Mãe,
Que Deus é Amor, nada mais que Amor.
Ouvindo a Palavra sei que Deus me chama
A ir, mundo fora, com todo o ardor,
A dizer a todos quanto Deus nos ama
E quer que sejamos amor, só amor.
Ouvindo a Palavra sei que Deus me ensina
Que amar é buscar o bem do irmão.
É ser um farol que outros ilumina
Vivendo em serviço e em doação.
Ouvindo a Palavra, sei que o pensamento
De Deus é que faça um mundo melhor.
Quer que seja sal, que seja fermento,
Que a todo o momento difunda o Amor.
Ouvindo a Palavra eu sei que Deus quer
Que amor entre nós seja caridade:
Seja amor de ágape, que onde estiver
Faça ressurgir a fraternidade.
Silva Araújo
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Guiados pela Palavra
De Jesus, que é a Verdade,
Construiremos um mundo
De paz e fraternidade.
Caminharemos na vida
Com fé e com confi ança,
Dando, a quem no-la pedir,
A razão da nossa Esperança.
A todo o que nos ferir
Com a palavra mais dura
Saberemos responder
Com mansidão e doçura.
Do íntimo do coração,
A quem provoca revezes
Saberemos dar perdão
Não uma, mas sete vezes.
Não faremos distinção
Entre os nossos e os teus
Pois em todos saberemos
Descobrir fi lhos de Deus.
Amaremos hoje e sempre
Quem nos ama e nos ofende.
Quem connosco faz caminho
E quem nos não compreende.
O Tempo que nos for dado
Fá-lo-emos repartir
No amor a Deus e aos homens
A quem buscamos servir.
Daremos a outra face
Ao irmão que nos ferira,
Respondendo com verdade
À calúnia e à mentira.
O mandamento do Amor
E as Bem-Aventuranças
Dar-nos-ão, mesmo na dor,
Almas simples de crianças.
Não pagaremos o mal
Como mal. Nada à vingança.
Viver como Jesus quer
Só é no bem que se alcança.
Ouvindo a Palavra…
Ouvindo a Palavra sou interpelado
A levar à vida quanto Deus me diz.
Sei que Deus me ama, caminha a meu lado
E quer que já hoje me sinta feliz.
Ouvindo a Palavra sei que Deus é Pai.
Quer que nos tratemos como bons irmãos.
Quer que levantemos o homem que cai
E a todos – mas todos – ‘stendamos as mãos.
Ouvindo a Palavra conheço a Verdade
De Deus sobre o homem e o mundo que fez.
Conheço, sem dúvidas, a Sua vontade,
Que é que nos amemos uma e outra vez.
Ouvindo a Palavra saberei também
Que Deus é perdão para o pecador.
Que Deus, sendo Pai, ama como Mãe,
Que Deus é Amor, nada mais que Amor.
Ouvindo a Palavra sei que Deus me chama
A ir, mundo fora, com todo o ardor,
A dizer a todos quanto Deus nos ama
E quer que sejamos amor, só amor.
Ouvindo a Palavra sei que Deus me ensina
Que amar é buscar o bem do irmão.
É ser um farol que outros ilumina
Vivendo em serviço e em doação.
Ouvindo a Palavra, sei que o pensamento
De Deus é que faça um mundo melhor.
Quer que seja sal, que seja fermento,
Que a todo o momento difunda o Amor.
Ouvindo a Palavra eu sei que Deus quer
Que amor entre nós seja caridade:
Seja amor de ágape, que onde estiver
Faça ressurgir a fraternidade.
Silva Araújo
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BASILIQUE DE ST PAUL HORS-LES-MURS (Rome)
Bento XVI traça uma breve biografia de São Paulo
Intervenção na audiência geral da quarta-feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o texto da intervenção que Bento XVI pronunciou nesta quarta-feira, durante a audiência geral concedida na Sala Paulo VI do Vaticano.
Em seu discurso, o Papa reiniciou o ciclo de catequeses dedicado a aprofundar na figura e no pensamento do apóstolo Paulo, detendo-se particularmente em sua biografia.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Na última catequese antes das férias, há dois meses, no início de julho, havia começado uma nova série temática por ocasião do ano paulino, refletindo sobre o mundo no qual Paulo viveu. Hoje, quero retornar e continuar a reflexão sobre o apóstolo dos povos, propondo uma breve biografia.
Dado que dedicaremos a próxima quarta-feira ao acontecimento extraordinário que se verificou no caminho de Damasco, a conversão de Paulo, virada fundamental em sua existência após o encontro com Cristo, hoje nos detemos brevemente a analisar o conjunto de sua vida. Os sinais biográficos de Paulo encontramos respectivamente na carta a Filemon, na qual se declara «ancião» (versículo 9: presbytes), e nos Atos dos Apóstolos, pois no momento da lapidação de Estevão diz que era «jovem» (7, 58).
Ambas designações são evidentemente genéricas, mas segundo os cálculos antigos, «jovem» era o homem que tinha cerca de trinta anos, enquanto que se chamava «ancião» quando chegava aos sessenta. Em termos absolutos, a data de Paulo depende em grande parte da data em que foi escrita a carta a Filemon. Tradicionalmente, sua redação se marca na prisão de Roma, em meados dos anos 60. Paulo teria nascido no ano 8, portanto, teria vivido mais ou menos sessenta anos, enquanto que no momento da lapidação de Estevão tinha trinta. Esta deveria ser a cronologia adequada. E o ano paulino que estamos celebrando continua precisando esta cronologia. Foi escolhido o ano 2008 pensando em que nasceu mais ou menos no ano 8.
Em todo caso, nasceu em Tarso de Cilícia (Cf. Atos 22, 3). A cidade era capital administrativa da região e no ano 51 a.C. havia tido como pró-consul nada menos que a Marco Túlio Cicero, enquanto que dez anos depois, no ano 41, Tarso havia sido o lugar do primeiro encontro entre Marco Antonio e Cleópatra. Judeu da diáspora, falava grego apesar de que tinha um nome de origem latina, derivado por assonância do original hebreu Saul/Saulos, e gozava da cidadania romana (Cf. Atos 22, 25-28).
Paulo se apresenta, deste modo, na fronteira de três culturas diferentes --romana, grega, judaica-- e talvez também por este motivo estava predisposto a fecundas aberturas universais, a uma mediação entre as culturas, a uma verdadeira universalidade.
Também aprendeu um trabalho manual, talvez herdado do pai, que consistia no ofício de «fabricar tendas» (Cf. Atos 18, 3), o que provavelmente significa que trabalhava a lã de cabra ou a fibra de linha para fazer esteiras ou tendas (Cf. Atos 20, 33-35).
Por volta dos doze ou treze anos, a idade na qual um jovem judeu se converte em bar mitzvà («filho do preceito»), Paulo deixou Tarso e se mudou para Jerusalém para ser educado aos pés do rabi Gamaliel, o Velho, neto do grande rabi Hilel, segundo as mais rígidas normas do farisaísmo, adquirindo um grande zelo pela Torá mosaica (Cf. Gálatas 1, 14; Filipenses 3, 5-6; Atos 22, 3; 23, 6; 26, 5).
Em virtude desta ortodoxia profunda, que havia aprendido na escola de Hilel, em Jerusalém, viu no novo movimento que se inspirava em Jesus de Nazaré um risco, uma ameaça para a identidade judaica, para a autêntica ortodoxia dos pais. Isto explica o fato de que tenha «perseguido a Igreja de Deus», como o admitirá em três ocasiões em suas cartas (1 Cor 15, 9; Gal 1, 13; Fili 3, 6). Ainda que não é fácil imaginar concretamente em que consistiu esta perseguição, sua atitude foi de todos os modos de intolerância. Aqui se marca o acontecimento de Damasco, sobre o qual voltaremos a falar na próxima catequese. O certo é que, a partir de então, sua vida mudou e se converteu em um apóstolo incansável do Evangelho. De fato, Paulo passou à história pelo que fez como cristão, como apóstolo, e não como fariseu. Tradicionalmente, divide-se sua atividade apostólica em virtude das três viagens missionárias, às que se acrescentou a quarto a Roma, como prisioneiro. Todas são narradas por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Ao falar das três viagens missionárias, há que distinguir a primeira das outras duas.
Pelo que se refere à primeira, de fato (Cf. Atos 13-14), Paulo não teve responsabilidade direta, pois esta foi encomendada ao chipriota Bernabé. Juntos, partiram de Antioquia de Orontes, enviados por essa Igreja (Cf. Atos 13, 1-3), e, depois de sair do porto de Seleucia, na costa síria, atravessaram a ilha de Chipre de Salamina a Pafos; daqui chegaram à costa do sul de Anatólia, hoje Turquia, passando por Atalía, Perge de Panfilia, Antioquia de Psidia, Iconio, Listra e Derbe, desde onde regressaram ao ponto de partida. Havia nascido assim a Igreja dos povos, a Igreja dos pagãos.
Enquanto isso, sobretudo em Jerusalém, havia surgido uma dura discussão sobre se estes cristãos precedentes do paganismo estavam obrigados a entrar também na vida e na lei de Israel (várias prescrições separavam Israel do restante do mundo) para participar realmente das promessas dos profetas e para entrar efetivamente na herança de Israel. Para resolver este problema fundamental para o nascimento da Igreja futura se reuniu em Jerusalém o assim chamado Concílio dos Apóstolos, para tomar uma decisão sobre este problema, do qual dependia o nascimento efetivo de uma Igreja universal. Decidiu-se que não havia que impor aos pagãos convertidos as prescrições da lei mosaica (Cf. Atos 15, 6-30): ou seja, não estavam obrigados a respeitar as normas do judaísmo; a única necessidade era ser de Cristo, viver com Cristo e segundo suas palavras. Deste modo, sendo de Cristo, eram também de Abraão, de Deus, e participavam de todas as promessas.
Após este acontecimento decisivo, Paulo se separou de Barnabé, escolheu Silas, e começou a segunda viagem missionária (Cf. Atos 15, 36-18,22). Após percorrer a Síria e a Cilícia, voltou a ver a cidade de Listra, onde tomou consigo Timóteo (figura muito importante da Igreja nascente, filho de uma judia e de um pagão), e fez que se circuncidasse. Atravessou a Anatólia central e chegou à cidade de Trôade, na costa norte do Mar Egeu.
Aqui aconteceu um novo acontecimento importante: em sonhos viu um macedônio na outra parte do mar, ou seja, na Europa, que lhe dizia: «Vem para ajudar-nos!». Era a Europa futura que lhe pedia ajuda e a luz do Evangelho. Movido por esta visão, entrou na Europa. Partiu para Macedônia, entrando assim na Europa. Após desembarcar em Neápolis, chegou a Filipos, onde fundou uma maravilhosa comunidade, logo passou a Tessalônica e, deixando esta cidade por causa de dificuldades com os judeus, passou por Berea até chegar a Atenas.
Nesta capital da antiga cultura grega pregou, primeiro no Ágora e depois no Areópago, aos pagãos e aos gregos. E o discurso do Areópago, narrado nos Atos dos Apóstolos, é um modelo sobre como traduzir o Evangelho em cultura grega, como dar a entender aos gregos que este Deus dos cristãos, dos judeus, não era um Deus estrangeiro a sua cultura, mas o Deus desconhecido que esperavam, a verdadeira resposta às perguntas mais profundas de sua cultura.
(continua)
Intervenção na audiência geral da quarta-feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o texto da intervenção que Bento XVI pronunciou nesta quarta-feira, durante a audiência geral concedida na Sala Paulo VI do Vaticano.
Em seu discurso, o Papa reiniciou o ciclo de catequeses dedicado a aprofundar na figura e no pensamento do apóstolo Paulo, detendo-se particularmente em sua biografia.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Na última catequese antes das férias, há dois meses, no início de julho, havia começado uma nova série temática por ocasião do ano paulino, refletindo sobre o mundo no qual Paulo viveu. Hoje, quero retornar e continuar a reflexão sobre o apóstolo dos povos, propondo uma breve biografia.
Dado que dedicaremos a próxima quarta-feira ao acontecimento extraordinário que se verificou no caminho de Damasco, a conversão de Paulo, virada fundamental em sua existência após o encontro com Cristo, hoje nos detemos brevemente a analisar o conjunto de sua vida. Os sinais biográficos de Paulo encontramos respectivamente na carta a Filemon, na qual se declara «ancião» (versículo 9: presbytes), e nos Atos dos Apóstolos, pois no momento da lapidação de Estevão diz que era «jovem» (7, 58).
Ambas designações são evidentemente genéricas, mas segundo os cálculos antigos, «jovem» era o homem que tinha cerca de trinta anos, enquanto que se chamava «ancião» quando chegava aos sessenta. Em termos absolutos, a data de Paulo depende em grande parte da data em que foi escrita a carta a Filemon. Tradicionalmente, sua redação se marca na prisão de Roma, em meados dos anos 60. Paulo teria nascido no ano 8, portanto, teria vivido mais ou menos sessenta anos, enquanto que no momento da lapidação de Estevão tinha trinta. Esta deveria ser a cronologia adequada. E o ano paulino que estamos celebrando continua precisando esta cronologia. Foi escolhido o ano 2008 pensando em que nasceu mais ou menos no ano 8.
Em todo caso, nasceu em Tarso de Cilícia (Cf. Atos 22, 3). A cidade era capital administrativa da região e no ano 51 a.C. havia tido como pró-consul nada menos que a Marco Túlio Cicero, enquanto que dez anos depois, no ano 41, Tarso havia sido o lugar do primeiro encontro entre Marco Antonio e Cleópatra. Judeu da diáspora, falava grego apesar de que tinha um nome de origem latina, derivado por assonância do original hebreu Saul/Saulos, e gozava da cidadania romana (Cf. Atos 22, 25-28).
Paulo se apresenta, deste modo, na fronteira de três culturas diferentes --romana, grega, judaica-- e talvez também por este motivo estava predisposto a fecundas aberturas universais, a uma mediação entre as culturas, a uma verdadeira universalidade.
Também aprendeu um trabalho manual, talvez herdado do pai, que consistia no ofício de «fabricar tendas» (Cf. Atos 18, 3), o que provavelmente significa que trabalhava a lã de cabra ou a fibra de linha para fazer esteiras ou tendas (Cf. Atos 20, 33-35).
Por volta dos doze ou treze anos, a idade na qual um jovem judeu se converte em bar mitzvà («filho do preceito»), Paulo deixou Tarso e se mudou para Jerusalém para ser educado aos pés do rabi Gamaliel, o Velho, neto do grande rabi Hilel, segundo as mais rígidas normas do farisaísmo, adquirindo um grande zelo pela Torá mosaica (Cf. Gálatas 1, 14; Filipenses 3, 5-6; Atos 22, 3; 23, 6; 26, 5).
Em virtude desta ortodoxia profunda, que havia aprendido na escola de Hilel, em Jerusalém, viu no novo movimento que se inspirava em Jesus de Nazaré um risco, uma ameaça para a identidade judaica, para a autêntica ortodoxia dos pais. Isto explica o fato de que tenha «perseguido a Igreja de Deus», como o admitirá em três ocasiões em suas cartas (1 Cor 15, 9; Gal 1, 13; Fili 3, 6). Ainda que não é fácil imaginar concretamente em que consistiu esta perseguição, sua atitude foi de todos os modos de intolerância. Aqui se marca o acontecimento de Damasco, sobre o qual voltaremos a falar na próxima catequese. O certo é que, a partir de então, sua vida mudou e se converteu em um apóstolo incansável do Evangelho. De fato, Paulo passou à história pelo que fez como cristão, como apóstolo, e não como fariseu. Tradicionalmente, divide-se sua atividade apostólica em virtude das três viagens missionárias, às que se acrescentou a quarto a Roma, como prisioneiro. Todas são narradas por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Ao falar das três viagens missionárias, há que distinguir a primeira das outras duas.
Pelo que se refere à primeira, de fato (Cf. Atos 13-14), Paulo não teve responsabilidade direta, pois esta foi encomendada ao chipriota Bernabé. Juntos, partiram de Antioquia de Orontes, enviados por essa Igreja (Cf. Atos 13, 1-3), e, depois de sair do porto de Seleucia, na costa síria, atravessaram a ilha de Chipre de Salamina a Pafos; daqui chegaram à costa do sul de Anatólia, hoje Turquia, passando por Atalía, Perge de Panfilia, Antioquia de Psidia, Iconio, Listra e Derbe, desde onde regressaram ao ponto de partida. Havia nascido assim a Igreja dos povos, a Igreja dos pagãos.
Enquanto isso, sobretudo em Jerusalém, havia surgido uma dura discussão sobre se estes cristãos precedentes do paganismo estavam obrigados a entrar também na vida e na lei de Israel (várias prescrições separavam Israel do restante do mundo) para participar realmente das promessas dos profetas e para entrar efetivamente na herança de Israel. Para resolver este problema fundamental para o nascimento da Igreja futura se reuniu em Jerusalém o assim chamado Concílio dos Apóstolos, para tomar uma decisão sobre este problema, do qual dependia o nascimento efetivo de uma Igreja universal. Decidiu-se que não havia que impor aos pagãos convertidos as prescrições da lei mosaica (Cf. Atos 15, 6-30): ou seja, não estavam obrigados a respeitar as normas do judaísmo; a única necessidade era ser de Cristo, viver com Cristo e segundo suas palavras. Deste modo, sendo de Cristo, eram também de Abraão, de Deus, e participavam de todas as promessas.
Após este acontecimento decisivo, Paulo se separou de Barnabé, escolheu Silas, e começou a segunda viagem missionária (Cf. Atos 15, 36-18,22). Após percorrer a Síria e a Cilícia, voltou a ver a cidade de Listra, onde tomou consigo Timóteo (figura muito importante da Igreja nascente, filho de uma judia e de um pagão), e fez que se circuncidasse. Atravessou a Anatólia central e chegou à cidade de Trôade, na costa norte do Mar Egeu.
Aqui aconteceu um novo acontecimento importante: em sonhos viu um macedônio na outra parte do mar, ou seja, na Europa, que lhe dizia: «Vem para ajudar-nos!». Era a Europa futura que lhe pedia ajuda e a luz do Evangelho. Movido por esta visão, entrou na Europa. Partiu para Macedônia, entrando assim na Europa. Após desembarcar em Neápolis, chegou a Filipos, onde fundou uma maravilhosa comunidade, logo passou a Tessalônica e, deixando esta cidade por causa de dificuldades com os judeus, passou por Berea até chegar a Atenas.
Nesta capital da antiga cultura grega pregou, primeiro no Ágora e depois no Areópago, aos pagãos e aos gregos. E o discurso do Areópago, narrado nos Atos dos Apóstolos, é um modelo sobre como traduzir o Evangelho em cultura grega, como dar a entender aos gregos que este Deus dos cristãos, dos judeus, não era um Deus estrangeiro a sua cultura, mas o Deus desconhecido que esperavam, a verdadeira resposta às perguntas mais profundas de sua cultura.
(continua)
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